Um painel para sempre

Há seis meses, a Associação dos Condomínios Garantidos do Brasil (ACGB/Vida Urbana) inaugurou um painel de azulejos em homenagem aos profissionais da linha de frente no combate à covid-19. Isso não compreende apenas os médicos e profissionais de saúde, evidentemente. Mas também aqueles que não puderam ficar em casa quando as regras eram de confinamento. Caso do gari, do policial, do carteiro, do motoboy, do motorista de ônibus e dos repórteres. Sim, a imprensa que vai às ruas à cata de notícias comeu o brioche que o diabo amassou. No auge da crise sanitária que, é bom lembrar, ainda ronda, a ACGB produziu, em sua oficina, um painel de azulejos com 32 metros quadrados (16m de comprimento x 2m de altura), destacando a palavra “Gratidão” e as figuras de 20 categorias das tantas que estiveram em risco enquanto a pandemia assoprou em nossas janelas.

QUEBRA-CABEÇAS

O painel, agora, é uma atração da Marechal Floriano Peixoto, uma das principais e mais extensas avenidas de Curitiba. Em sua construção, foram necessárias 300 peças de azulejo que, depois de pintadas à mão e queimadas a uma temperatura de 800 graus Celsius, deram unidade à obra, montada como se fosse um grande quebra-cabeças. Só vendo para crer (foto). E a população tem visto e quase não acredita.

ABRAÇO GIGANTE

O projeto, cá entre nós, era menos ambicioso. Em sua primeira versão foram reservados apenas 8 metros do muro e a homenagem ficou restrita a onze profissionais. Seria um abraço de gratidão digno de um gigante, mas não era o suficiente. Um acordo entre a coordenadora de projetos da ACGB, Deisi Momm, e o proprietário do terreno resultou em um plus de quatro metros de azulejos à direita e mais quatro à esquerda que fizeram do painel de agradecimento o maior do Brasil. Os que refutam essa afirmação, por favor, atirem a primeira cerâmica.

UM RECORTE

Para que o leitor tenha uma ideia, a imagem não basta. E o motivo é técnico: ela não caberia em duas colunas de jornal. As categorias homenageadas somaram mais nove às onze que lá estavam e o artista – que se dê nome ao boy: André de Souza – fez incluir no painel também a frente de dois veículos essenciais durante a pandemia: o ônibus e o caminhão. Ao lado de seus respectivos condutores.

ORGULHO

A covid-19 foi um teste de solidariedade? Sim. E também de humanidade. “Só assim”, diz Deisi Momm, “pudemos enfrentar uma doença que, agora, vai reduzindo seu impacto mortal graças à vacina desenvolvida em tempo recorde”. Sim, há uma ponta de orgulho nisso tudo. E a ACGB expressou isso da maneira que sabe.

Coluna publicada no Diário Indústria e Comércio em 28 de março de 2022.

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