Renan e Deltan: a dupla jacobina

Está lá o senador Renan Calheiros, do MDB, posando de paladino da Justiça na CPI da Covid. Conta com a amnésia alheia e ela há de ser-lhe benéfica. Renan não é mais o Renan “Mônica Veloso”, tampouco o Renan da empreiteira “Mendes Júnior. É o Renan relator da Comissão Parlamentar de Inquérito que inscreveu na plaquinha diante de si, não o seu nome, mas o número atualizado dos mortos pela pandemia. Não deve saber o senador, ou finge desconhecer, que a CPI é uma espécie do gênero da investigação preliminar, na qual se insere também o inquérito policial. Por essa razão, Renan jamais poderia apresentar-se às testemunhas ou aos investigados agindo como um delegado de polícia com predisposição a concluir o seu relatório antes mesmo da oitiva ou da coleta de provas. Se pudesse ele substituiria a plaquinha novamente, colocando no lugar do número de mortos pela covid, a palavra “condene-se”. É o seu viés de confirmação. É nesse ponto que o senador se alinha com Deltan Dalagnol, o procurador do MPF que chefiou a Lava-Jato em Curitiba. Se cantassem juntos, seriam uma dupla afinada de jacobinos. Pois em seu viés de confirmação, Deltan produziu um power point que não deixava dúvida sobre quem era o grande cacique dos desmandos no país. Histriônico, fez mais: quis erguer, com dinheiro repatriado, um monumento em homenagem à operação de combate à corrupção mais importante da história do país. Seria de fato, e dispensaria monumento, se fossem respeitados os limites do devido processo legal e do Estado Democrático de Direito. Sim, há um presidente orgulhoso de sua insanidade e houve outro apegado à guerra do nós contra eles. O que só confirma a máxima de Ivan Lessa: “De 15 em 15 anos o brasileiro esquece o que aconteceu nos últimos 15 anos”. Acredite, a situação piorou: agora é de 15 em 15 minutos!

Edição especial

A Editora Bonijuris prepara uma Separata em homenagem ao professor e jurista René Dotti, falecido em fevereiro deste ano.

Versão impressa

Se os bons ventos publicitários lhe forem favoráveis a Bonijuris deve mandar imprimir uma tiragem de 3 mil exemplares e encartar parte dela em sua edição de agosto. É uma aposta que atrai a atenção do mundo jurídico.

Amigos para sempre

O ator Ary Fontoura, que foi colega de Dotti no Colégio Estadual do Paraná, e com ele fundou uma companhia de teatro, assina artigo que fecha a edição.

Em cena

O título diz muito sobre o advogado, famoso por suas atuações no Tribunal do Júri: “Dotti deixou o teatro, mas o teatro nunca o deixou”.

Decano entre nós

Entre os colaboradores da edição especial também estão o ministro decano do STF, Marco Aurélio Mello, que se aposenta no próximo dia 5 de julho, e os juristas Miguel Reale Jr. e Jacinto Miranda Coutinho.

Publicado no Diário Indústria e Comércio de 26 de maio de 2021.

FOTO: AGÊNCIA BRASIL

compartilhe

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no email
Email

Leia também:

À espera do escrete do STF

O brasileiro é incapaz de escalar a seleção brasileira de futebol, do goleiro ao centroavante, mas tem na ponta da língua os

A esquerda marcha sua insensatez

Um estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em novembro de 2020, mostra que, mesmo em um ambiente aberto, a grande concentração de pessoas gera o que os pesquisadores chamam de super propagação.

Em nome do bom português

Tutmonte procura coligar-se com amigos do presidente.
Que presidente? É o próprio Tutmonte, mas parecem dois e se o leitor já não souber que Tutmonte é presidente não entende o que o mau redator quis dizer.