Olavo de Carvalho, o novo teórico da velha conspiração

Salvo iniciados e convencidos, até as eleições de 2018 quase ninguém ouvira falar de Olavo de Carvalho, o filósofo terraplanista e guru do presidente da República. Havia aqueles que, por conta de fulano ou beltrano, eram exceção. Em dado momento da campanha, um certo Nando Moura passou a pontificar na internet tendo à mão um exemplar do livro “O mínimo que você precisa para não ser um idiota”. (Idiotia não carece de artigo indefinido. Ou é ou não é).

O título da obra é coisa de editor. Guarda semelhança, aliás, com o palavrão que abunda as capas dos livros nas seções de autoajuda.

De qualquer forma, o catatau de Olavo de Carvalho é uma coletânea de artigos publicados em jornais e, depois, reunidos e oferecidos em livro, como se tornou praxe.

O advogado e escritor Arthur Virmond de Lacerda Neto guarda definição sobre esse tipo de produto editorial:

 “Constitui literatura efêmera a concernente às circunstâncias específicas do estado de coisas em que surgiu e a que reage: ela existe em função delas, como sua análise, corroboração, recusa, valoração. Fossem outras as circunstâncias, outro ser-lhe-ia o teor. Ela é potencialmente útil como esclarecimento, ponderação ou opinião; o seu valor é limitado no tempo: é “datado”. Uma vez que as circunstâncias se alterem (e sempre cambiam), a produção transitória desatualiza-se e perde interesse de atualidade, embora suscetível de proveito como documento histórico e como produto intelectual. É o caso da crônica política.”

Se nos artigos reunidos em livro, Olavo de Caravalho oferece sua visão de mundo, em seu canal do Youtube ele trata de enfiar um pé na insanidade (o outro também). Em vídeo recente, Carvalho tratou de pôr em dúvida se as músicas dos Beatles foram mesmo compostas por eles. Segundo o guru, as canções seriam obra do filósofo alemão Theodor Adorno (1903-1969). Qual  a evidência disso? Nenhuma. Ele jogou para a audiência e engula quem quiser.

Carvalho tem um pendor para a teoria da conspiração e parece que resolveu ir além de fórmulas batidas tais como “os alienígenas estão entre nós (a Nasa sabe)” ou, para ficar em nossa taba, “Getúlio não se suicidou, foi assassinado”. O problema de Carvalho são suas previsões políticas. Assim, nem parece que foi astrólogo de profissão e autor de obras sobre o tema.. A saber: A imagem do homem na astrologia. São Paulo: Jvpiter. 1980, Questões de simbolismo astrológico. São Paulo: Speculum. 1983, Astros e símbolos. São Paulo: Nova Stella. 1985, Astrologia e religião. São Paulo: Nova Stella. 1986.

É filósofo e anuncia-se filósofo por intuição, não por formação. Nenhum demérito. Também tornou-se professor particular e conferencista. Nunca deu aulas regulares, porém editou apostilas, fundou cursos-online e com eles garante o seu ganha-pão. Há algo nele que se aproxima de um líder de seita. É adorado por seus seguidores que Arthur de Lacerda chama, muito apropriadamente de ‘olavinhos’. Do pouco que emana de seu canal do youtube ,consta o básico: teses liberais, patuás do estado mínimo, criacionismo e a velha crítica cítrica à esquerda de então (e de antanho). É chato. É cricri. É pernilongo.

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