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Pandemia da covid-19 pode oficializar modalidade de ensino “telepresencial” nas universidades

Proposta deve ser apresentada ao MEC pelo empresário Wilson Picler, dono da Uninter, a partir da experiência das aulas online no primeiro semestre de 2020.

O educador e empresário Wilson Picler, dono do Grupo Uninter – uma das maiores instituições de Ensino à Distância do Brasil – cogita apresentar ao Ministério da Educação e aos órgãos submetidos à pasta, a proposta de uma nova modalidade de ensino que ele batizou de “telepresencial”

A ideia surgiu a partir da experiência das aulas online no primeiro semestre deste ano, motivadas pela pandemia do coronavírus.

Picler diz que o sistema adotado pela Uninter, com plataforma desenvolvida pela própria instituição, foi tão bem recebido pela comunidade acadêmica (72% de aprovação em pesquisa interna) que pode oportunizar uma terceira via de modalidade de ensino.

O “telepresencial”, segundo o empresário, seria um híbrido entre as aulas presenciais e o ensino à distância.  No sistema EAD as aulas são gravadas, editadas e colocadas à disposição dos alunos no ambiente de aprendizagem virtual para que possam assisti-las quando e onde quiserem. A plataforma online funciona de maneira diferente. As aulas são transmitidas ao vivo e as gravações, sem qualquer edição, são posteriormente ofertadas aos alunos que perderam a aula online ou que necessitam esclarecer dúvidas.

A solução adotada pelas universidades que ofertam cursos presenciais é a mesma desenvolvida pelos aplicativos de conferências, caso do Zoom – que comemorou recentemente 2 trilhões de minutos de acesso – e de seus concorrentes: o Skype, o Teams, da Microsoft, e o Meet, do Google.

A vantagem está nas ferramentas que permitem que a audiência (a turma de alunos) possa fazer questionamentos através de chats ou de intervenções ao vivo, autorizadas pelo professor.

A Uninter desenvolveu a plataforma Reuni, implantada em tempo recorde, em meados de março, assim que as medidas sanitárias foram adotadas e as aulas suspensas no sistema público e privado de ensino superior em Curitiba (PR), sede da instituição no país.

A rapidez com que o Reuni foi adotado na universidade tem explicação: o carro-chefe da Uninter é o EAD, hoje com 600 polos ativos em todo o país e 230 mil alunos matriculados. Para efeito de comparação, a Universidade Positivo, que recentemente foi vendida ao grupo paulista Cruzeiro do Sul,  contava, no início do ano, com 14 mil inscritos na modalidade EAD e 16 mil no presencial. Uma diferença que exigiu investimentos de urgência na área tecnológica e de um programa intensivo de treinamento de professores e funcionários – principalmente na área de TI – para evitar atrasos no calendário acadêmico.

A Uninter não padeceu com a correria, mas foi testada com as frequentes quedas do sistema no primeiro mês de implantação das aulas online. A solução encontrada passou pela adoção de um protocolo e orientação aos alunos para que abdicassem do sistema sem fio e voltassem a plugar os cabos de banda larga da internet diretamente no computador.

AVALIAÇÃO

No início do mês de julho, o Conselho Nacional de Educação aprovou parecer com orientações para a retomada gradual de aulas e atividades pedagógicas presenciais. A perspectiva de normalização, entretanto, ainda é duvidosa. O CNE avalia que a oferta de ensino à distância será necessária até 2021. A avaliação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é ainda mais sombria. Para a entidade, o calendário de normalização pode se estender até o fim de 2022. Desde o início da pandemia, em janeiro, 191 países fecharam escolas e universidades. Os números dão conta de 1,6 bilhão de estudantes sem aula –90,2% de todo o universo discente no planeta.

MATÉRIA PUBLICADA NA EDIÇÃO DE 30 DE JULHO DE 2020 do Diário Indústria & Comércio.

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