Os indesejados das gentes

A professora Regina Reinert, mestre de Sociologia da Uninter de conhecimento e didática invejáveis, conforta-me em minha neutralidade. Max Weber, alemão que analisou (eu diria auscultou) a sociedade americana no livro “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, teve por objetivo a neutralidade em suas pesquisas. O que o diferencia, aliás, de outras personagens basilares das ciências sociais: Durkheim, o conciliador, e Marx, o antagônico.

Nutre-me certo alívio ficar à vontade para dizer o que penso, sem bater de frente com algum xiita à esquerda e à direita. Não pactuo com nenhuma das tendências que ora proliferam nas redes sociais, onde habitam os mesmos mortos vivos da série “The Walking Dead”. A pergunta que se faz, assim na série como na vida virtual, é a mesma: os mortos são os vivos ou são os mortos?

O antipetismo e o bolsonarismo já seriam uma excrescência não tivesse aflorado, nos últimos dias, também o “antipetismo-mas”, que diz respeito ao antipetista de UTI que, ainda assim, vota em Haddad (Lula) para deter o apocalipse Bolsonaro.

E fazer o quê? Admitir que o presidente de fato governará de uma cela de cadeia? Que os gabinetes serão, de novo, loteados pelos companheiros e seus aliados, todos de olhos grandes e cuecas largas? Cid Gomes, o irmão mais esperto de Ciro, parece que deu o tom desse misto de ocaso e descrença. Em discurso num evento petista de apoio ao petista Haddad, falando a petistas e cercado de petistas em um palco improvisado, desancou, literalmente, a “turma do funil”. O vídeo pode ser visto acima, com uma pitada de dramaticidade Darthniana (de Darth Vader) e um toque de história ou mitologia medieval (“El Cid”). Frases como “O PT precisa fazer sua mea culpa”, “Quem criou o Bolsonaro foi o PT” e “Vocês queriam ser os donos do país, mas o país não tem dono” ainda ecoam. Remetem a Caetano Veloso, em justa indignação, mandando às favas  os stalinistas e o Centro Popular de Cultura da UNE, nos idos de 68

Haddad é o indesejado das gentes. Bolsonaro, não se engane, também. O duro é saber que nessa polarização que já dura meia década nenhum dos movimentos pendulares que se fez na política refletiu um ponto de equilíbrio. Frente Democrática, pois sim (senhor), agora é tarde demais. Os micos de circo estão reproduzindo as pantomimas do mundo e a “nova aurora” da direita. O que fazer? Sinto-me bem assim. Excluído, desconvidado para o último baile da Ilha Fiscal, neutro em minha objetividade. Salve Regina Reinert!

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