O triunfo do lobby virtual

Não foram as multidões nas ruas, tampouco o placar nas praças ou o bater de panelas. Quem definiu a eleição no Senado a favor do desconhecido David Alcolumbre e, portanto (e principalmente), contra Renan Calheiros, foram as redes sociais.

A pressão popular que antes circundava o Congresso Nacional ou subia a rampa do Palácio do Planalto, agora zumbe nos smartphones dos políticos, fazendo com que reconsiderem suas decisões, mudem de posição, tome outro rumo, por vezes diametralmente oposto, ou… arquem com consequências.

O caso da eleição no Senado deu ares de novos tempos ao lobby e aos lobistas já personificados no ativismo e agora amplificados nas mensagens de texto que invadem os perfis de congressistas, conclamando-os para que votem segundo os ditames de seus eleitores ou até mesmo detratores.

Há pouco, coisa de cinco meses, arautos da oposição (agora do apocalipse) publicavam colunas sôfregas no jornal, apelando para o retorno da democracia direta, aquela mesma que grassava na Grécia antiga.

Pois não parecem tão satisfeitos. Quando Alcolumbre assumiu a presidência dos trabalhos no Senado, na semana passada, podia-se ouvir à distância o sapateado dos adversários e o cicio abafado dos partidários de Renan Calheiros. Também, salvo engano, um arranhar irritante de unhas pontiagudas a sulcar a madeira de mesas e cadeiras.

Sob pressão, a velha raposa da velha política foi bater à porta do STF para que se fizesse reverter a decisão da maioria do plenário que escolheu o voto aberto na eleição do presidente do Senado. Não estava sozinho. Acompanhava-o também os defensores da democracia direta, àquela altura já mortinha da silva.

Mesmo com a decisão favorável, impondo ao plenário o voto secreto, os senadores, intimidados pela avalanche de mensagens virtuais, que ora atendia por lobby do bem, dispuseram-se a exibir as cédulas de votação a fotógrafos e postá-las nas redes sociais, até para que não pairasse dúvida.

Ficou evidente que, daqui por diante, um fantasma ronda o Congresso Nacional e ele terá ação decisiva no que, ora em diante, for discutido pelos partidos. É o lobby que insinua-se e ganha corpo, tal como registrado em matéria de capa da Revista Bonijuris em sua edição de fevereiro deste ano. O lobista que recebeu o nome de profissional de relações institucionais e governamentais – até para não assustar os pragmáticos –, parece pronto a dar voz a um dispositivo democrático que legitima as relações de interesse da sociedade. Está claro, desde que essas relações e interessem sejam transparentes e obedientes a regras e leis. Mas isso não é necessário explicar. O episódio no Senado deu mostras de quanto o lobby pode ser poderoso. Abaixo, reproduzimos a primeira parte do artigo de capa da Revista Bonijuris, que trata justamente do tema. Um tema, como se vê, de extrema relevância.

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