O nome #dele é Frankenstein

Com 49 milhões de votos, Jair Bolsonaro é a soma de todas as partes do eleitorado que disse não ao dizer #ELESIM, no que inverteu a hashtag que correu as redes sociais.

O nome é Bolsonaro do partido PSL, mas o nome poderia ser Candidato X do partido PQP, para definir em sigla o sentimento que está na ponta da língua do eleitorado. O resultado seria o mesmo.

Para ilustrar melhor, que tal Frankenstein? – a criatura, não o criador. Assim como Bolsonaro, Frankenstein foi feito de pedaços de corpos humanos reanimados. Fácil associá-los ao que restou da política brasileira. Defunta e insepulta.

Os que votaram em Bolsonaro fazem parte do batalhão que invadiu as ruas para protestar contra a corrupção, os desmandos, as chicanas, a impunidade, os privilégios, a desigualdade e tudo o mais que faz parte do check-list civilizatório – o que, julgam eles, o capitão não representa. Bobinhos. Mesmo os que desfilaram a favor do lulopetismo tinham algo a protestar, afinal o quadro pintado era mesmo o de uma natureza morta.

Erra quem afirma, simploriamente, que, eleito, Bolsonaro, vai implantar uma ditadura. Para quê? Que não seja acusado também de aventureiro, afinal ele tem 30 anos de janela. Mais do que Fernando Collor, o representante dos “descamisados”. Bolsonaro é a voz dos com-camisa – a amarelinha, usurpada da seleção de futebol. Outro erro: encará-lo como um “outsider”. Ele é o fino da bossa do baixo-clero, do qual fazem parte todos aqueles parlamentares que navegam ao sabor da onda. Qualquer onda. Sem demérito, é o Tiririca a subir a rampa do Alvorada, o Enéas, o Severino Cavalcanti. É também a “manus militari” do preconceito, o que significa o melhor retrato do brasileiro. Sem distinção de classe.

Se a criatura (o monstro) espelha o criador (o eleitor ou “rejeitor), eis a questão. Governantes de direita com discurso bocó não deveriam abalar um Estado democrático, dono de uma constituição que celebrou proteções legais exatamente para impedir o retorno de um regime de exceção. Claro, o Brasil não é os EUA e Bolsonaro não é Donald Trump.

Quanto ao outro lado – aquele que vai para o embate com o capitão no segundo turno –,  o que dizer? Se eleito, Fernando Haddad assumirá oficialmente a condição de porta-voz de um presidente trancafiado. Qualquer semelhança entre Frankenstein, o vivo-morto, e o morto-vivo não é mera coincidência.

P.S.: NÚMEROS, ORA NÚMEROS

No universo do primeiro turno, Jair Bolsonaro com seus 49 milhões de votos, venceria Lula, em 2002 (39,4 milhões de votos); em 2006 (46,6 milhões); Dilma em 2010 (47,6 milhões), e Dilma novamente em 2014 (43,2 milhões). No porcentual de votos válidos, mais preciso porque leva em conta o sempre crescente número de eleitores, Bolsonaro só venceria Dilma em 2014 (46,1% x 41,5%).

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