O discurso de ódio da direita é o mesmo do “nós contra eles”. Ao fim e ao cabo, o velho preconceito

Sem relativismo para não fazer o que fez o (a) chargista Laerte ao botar “panos quentes” no ataque terrorista ao “Charlie Hebdo”(ah, os radicais muçulmanos oprimidos), mas o discurso do ódio não teve início na era Bolsonaro. Na verdade, começou bem lá atrás quando o capitão era apenas um membro sem brilho do baixo clero a dizer asneiras. O “nós contra eles” veio primeiro. Seguido de uma raivosa disseminação de “fakes” na Internet, principalmente após as manifestações de 2013. O termo “dazelite” cunhado por Lula, dando nome ao inimigo, parece hoje apenas uma altercação em um chá de senhoras.

Já a “fake news”, a notícia falsa, a mentira repetida à exaustão até que seja aceita como verdade, é bem mais séria. E tem a manus da esquerda ao privilegiar a “mídia independente” (que não produz informações, opina), além de militantes e simpatizantes, sempre eufóricos em sua certezas.

O resultado é uma polarização sem precedentes no país, que deixa os brasileiros à beira do precipício de um governo populista de direita visto como solução a um governo populista de esquerda. Há um erro ao afirmar que o PSL, o partido nanico encabeçado por Bolsonaro, até 7 de outubro inexpressivo, não teria assinado o termo de compromisso proposto pela Justiça Eleitoral para combater as “fake news”. Assinou. Quem não assinou foi o PT (junto com PCO, PTC e PSTU).

O ódio disseminado pelos bolsonaristas nas redes sociais – com ataques diretos ou notícias falsas – teve, nesse sentido, o aval do PT, que recusou-se a baixar as armas que tinha usado em 2014 e voltou a demonstrar que lançaria mão delas não subscrevendo o compromisso. Ora, esperava-se tal atitude do conjunto da direita brucutu e não da esquerda que se anuncia democrática e disposta ao diálogo.

Haddad – o Lula magro, segundo definição do humorista americano John Oliver (na coluna de vídeos do blog), fez mais. Silenciou no caso do vereador venezuelano Fernando Albán, jogado da janela do décimo andar, do “doi-codi” de Nicolás Maduro, em Caracas. Segundo a versão oficial, ele suicidou-se. De fato, “foi suicidado”.

Diga-se: não é propriamente uma novidade. A presidente nacional do PT , Gleisi Hoffmann, no calor da campanha “Lula Livre” já havia discursado em favor da Constituinte venezuelana e dito, em reunião do foro de São Paulo, que se tratava de uma batalha entre golpistas e revolucionários. Não é difícil adivinhar quem são os revolucionários na visão da petista.

É difícil assim, concordar, com o lema “Democracia Acima de Tudo” com que os partidários de Haddad (o poste de Lula que acaba de abolir o vermelho e a sigla em sua campanha de segundo turno – restou o 13, ora ora) decoram o seu perfil nas redes sociais. É difícil crer também que Bolsonaro desista de sua pauta truculenta quando parece que essa truculência, transformada em programa partidário, fez com que ele alcançasse 50 milhões de votos (ou quase) no primeiro turno.

Barrá-lo parece impossível, principalmente quando a alternativa na urna eletrônica é aquela que todos conhecem, incluindo a “corrupção afetiva” e o “preso de estimação”. O que hoje é democracia acima de tudo era, ontem, uma campanha de desmoralização da imprensa e de imprimir rótulo de fascistas a todos aqueles que pensavam diferente. Ódio, em síntese. Preconceito no mais. Faltou autocrítica à esquerda, sobrou soberba.

O que resta é aquele cheiro de napalm que o coronel de “Apocalypse Now” adorava respirar pela manhã (aqui).

compartilhe

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no email
Email

Leia também:

Dura vida de advogado

A mesma Folha de S. Paulo que anunciou, equivocadamente, a morte da monarca da Inglaterra, na manhã de segunda-feira – “Rainha Elizabeth

Um painel para sempre

Há seis meses, a Associação dos Condomínios Garantidos do Brasil (ACGB/Vida Urbana) inaugurou um painel de azulejos em homenagem aos profissionais da