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O direito cresce. Não em qualidade, mas em número

Em um período de 14 anos, de 2005 a 2019, o número de estudantes matriculados dobrou para 879.234, e isso, sabidamente, não representou um ganho. Pelo contrario, o Índice de reprovação de participantes do Exame da Ordem so fez aumentar: 80%, de acordo com a ultima aferição.

Não bastassem as 1.724 faculdades, o 1,2 milhão de profissionais registrados e o título nada auspicioso de curso superior com o maior número de universitários no país, o direito agora se vê ameaçado pelo ensino à distância (sim, ameaça é a palavra).

Em um período de 14 anos, de 2005 a 2019, o número de estudantes matriculados dobrou para 879.234, e isso, sabidamente, não representou um ganho. Pelo contrario, o Índice de reprovação de participantes do Exame da Ordem so fez aumentar: 80%, de acordo com a ultima aferição.

Os indicadores poderiam dizer tudo, mas para o Ministério da Educação significam pouco. Ha um excesso de advogados e bacharéis no país, e, ainda assim, as autoridades dão de ombros.

Não se dê nome aos chefes da pasta, porque o descaso é endêmico. Atravessou-se uma década e meia de diretrizes educacionais que só miraram a quantidade e não a qualidade. Não há exagero na afirmação de que há uma faculdade em cada esquina, e ingressar nela não requer muito esforço.

Programas do governo se encarregaram de distribuir bolsas e salvar universidades à beira da falência e, assim mesmo, os empresários seguem em busca de alguma solução que lhes permita conjugar a formação superior – nem sempre de qualidade –, o contingente de alunos e o baixo custo da educação.

Ora, o ensino à distância é a resposta. Já que permite, por exemplo, que um professor grave uma aula, distribua em todos os polos presenciais da universidade por todo o país, até que seja necessário renová-la. E isso pode demorar três, quatro ou cinco anos, ou talvez nunca.

Em entrevista concedida no ano passado à Revista Bonijuris, a ex-presidente do TRT-9, Marlene Suguimatsu, imaginou uma distopia: um futuro em que o reitor de uma universidade necessitará apenas de sala, banquinho e computador para comandar a vida acadêmica. Alunos, professores e funcionários, se houver, orbitarão em torno de um único produto: as aulas remotas.

O direito era o penúltimo bastião de resistência (o último é a medicina). Pois não é mais. Com a anuência do MEC, há planos de grandes grupos educacionais de espalhar sucursais em todo o país para oferecer aos futuros advogados um curso à distancia.

A portaria 2.117 do Ministério da Educação, de 6 de dezembro de 2019, permitiu que a carga horária nos cursos superiores dobrasse de 20% para 40% no período de um ano. No caso do direito, isso significa 20 das 50 disciplinas da grade curricular. Mas não para por aí.

A glutonia dos donos de faculdades quer mais, e já há pedidos de autorização no MEC para que o curso de direito seja 100% EAD. No Paraná, onde fica localizada a sede da Revista Bonijuris, dados recentes mostram que o mercado para novos advogados está saturado. Há 120 cursos de direito que preenchem 18.600 vagas nos bancos escolares. Não há emprego para todo mundo. Sequer para um terço.

FOTO AGÊNCIA BRASIL EBC.

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