O dilema dos jornais: sobreviver ou vender assinaturas?

A editora Abril faliu, os grandes jornais lutam contra a derrocada, as revistas minguam ou agonizam e todo o modelo de negócio que surge, em duas décadas de império da internet , bate à porta do leitor com um boleto na mão e nenhuma ideia na cabeça.

No caso brasileiro, acrescente-se ainda a forma perversa de pagamento através do cartão de crédito, desconsiderando o que é óbvio: a crise econômica sem precedentes e os juros exorbitantes – os maiores do mundo – das financiadoras.

Há mais: a oferta de notícias é grande, está disponível nas emissoras de rádio, TV aberta e, ora, na internet. Ou seja, o que é publicado pela mídia impressa e agora digital, ainda que, porventura, mais atualizado e analisado, não consegue fazer com que a informação esconda-se em uma exigência de assinatura-paga quando o trânsito de comunicação ou notícia de todo tipo chega ao leitor, de qualquer maneira. Se não pelos meios convencionais, através das redes sociais, sites e blogs alimentados por qualquer um, inclusive jornalistas, que não tem a obrigação de apurar os fatos antes de distorcê-los.

Acrescente-se a tudo isso o usuário de internet que, ao comprar um plano de internet ou crédito para o celular, julga-se no direito – contestável, mas ainda assim legítimo  – de acessar gratuitamente o que lhe convier ou, dizendo de outra forma, de acessar apenas aquilo que lhe é oferecido de forma gratuita.

Direto e reto: por que as revistas masculinas faliram? Pela simples razão de que os sites eróticos estão disponíveis e são sustentados por serviços e cliques. Portanto, pare com essa história de que quem comprava a Playboy só queria saber dos artigos e entrevistas.

Duas décadas se passaram e aquele velho debate que tratava do impacto da internet sobre a mídia impressa parece ter avançado pouco. Basta andar nas ruas das capitais do país e comprovar o quanto as bancas de jornais tornaram-se pontos de venda de flores, doces ou produtos made in china. Em Curitiba, onde moro, três bancas em dez quadras da tradicional Rua das Flores vendem, de fato, jornais.

Imagine que amanhã as TVs abertas passem a cobrar assinatura dos telespectadores. A queda da audiência seria drástica e a fuga dos anunciantes, desabalada.

Não é difícil fazer a comparação com os jornais e revistas que querem aplicar o mesmo modelo de negócio do meio impresso ao digital. Claro que não se quer com isso desrespeitar as grandes marcas da mídia e sua respectiva tradição e compromisso com a informação.

Porém, já ficou evidente que a velha maneira de vender assinaturas em meio àquela profusão de anúncios que emolduram ou precedem as notícias, não vai funcionar.

Se a grande mídia, aliás, quer combater de vez as fake news que invadem o mundo virtual (vide caso Brumadinho) garanta acesso livre ao conteúdo e encontre outra forma de atrair receita. As fake news, como se sabe, são de graça.

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