Nas redes sociais, a moeda mais valiosa é a mentira

Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), a respeitada universidade de pesquisa de Cambridge, nos EUA, publicaram estudo, no início de março deste ano, em que concluem que a razão para as fake news terem mais sucesso na internet está relacionada com o fato de que aquilo que é novidade atrai mais a atenção humana e encoraja seu compartilhamento. “A novidade não só surpreende, mas também é considerada mais valiosa”, afirmam os cientistas sociais Soroushi Vosoughi, Deb Roy e Sinan Aral em artigo publicado na revista científica Science sob o título “Como as notícias se espalham”. Trata-se de uma moeda rara, pois dá a quem as dissemina ou replica o status de alguém que detém informações exclusivas, como arquivos secretos do Pentágono ou dados vazados dos principais líderes do planeta. Com um adendo: os usuários, os verdadeiros disseminadores das notícias falsas (os bots – diminutivo de robô, em inglês – não têm culpa no cartório), encaram as fake news como algo novo ou mais atraente do que as informações verdadeiras.
Os pesquisadores do MIT rastrearam um total de 126 mil informações divulgadas e compartilhadas por três milhões de pessoas no microblog Twitter entre 2006 e 2007. A partir daí, classificaram-nas como verdadeiras ou falsas, de acordo com avaliação feita
por diferentes organizações de checagem de dados. O resultado: as fake news têm um alcance maior, mais rápido, mais profundo e mais amplo do que a verdade em todas as categorias de informação.
A razão é de três verdades para sete mentiras retuitadas com alcance global, já que o padrão verificado pode ser repetido em qualquer parte do mundo com mínima oscilação.

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CRIME CONTRA A HONRA
Em artigo publicado no site IDG Now!, especializado em tecnologia da informação, o advogado e economista Renato Opice Blum, também colaborador da Revista Bonijuris, alerta que, caso a divulgação da notícia falsa “seja praticada com ciência do embuste e intenção de ofender alguém, poderá configurar crime contraa honra: calúnia, injúria ou difamação, conforme previsão do Código Penal. A disseminação de informação capaz de gerar pânico ou desassossego público, por sua vez, é tipificada pelo artigo 30 do Decreto-Lei 4.766/42. Provocar alarme, anunciar desastre, perigo inexistente ou praticar qualquer ato apto a produzir pânico são condutas classificáveis como contravenção penal, nos termos do artigo 41 da Lei de Contravenções Penais”. Blum acrescenta:
“Mesmo que a pessoa não tenha a intenção de causar danos, se não agir com razoável diligência para confirmar as informações que compartilha, em especial aquelas que atribuem fatos ou falas a terceiros, poderá ser chamada a responder por eventuais danos
causados”.
É um aviso providencial aos pinóquios virtuais.

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