Machado de Assis era um rábula

Editor do site Migalhas, especializado em informações jurídicas, Miguel Matos está lançando o livro “Código de Machado de Assis” (Migalhas, 592 págs., R$ 184,60) onde se debruça sobre as referências do escritor a advogados. Epilético, baixinho, gago, mulato, pobre, o carioca nascido em Cosme Velho era o tipo perfeito para não dar certo. Mas deu. Ao torna-se funcionário público, era uma de suas funções elaborar pareceres e contratos. Não, Machado não era advogado. Sequer passou perto da universidade. Era um prático da advocacia, ou seja, um rábula. Ressentido com os bacharéis que iam e vinham à repartição, ele os transformou em personagens. Ineptos, medíocres, indolentes. Matos fez a contabilidade. São 80 advogados, 38 bacharéis, 23 desembargadores e 18 juízes. A maioria transformada em pó.

Ao menos um

Curiosamente, Bentinho, o personagem trágico de “Dom Casmurro”, é poupado da acidez machadiana e tratado como “bom advogado”. Matos se propõe então a desvendar o mistério que ronda a história e que já produziu uma centena de teses. Afinal, Capitolina, a Capitu, teve ou não um caso extraconjugal com Escobar, o melhor amigo de Bentinho?

Traiu ou não?

Matos afirma que sim. E ele é mais direto do que foram os críticos literários ao enxergar apenas indícios de infidelidade nos “olhos de ressaca, oblíquos e dissimulados” da personagem.

Eufemismo

Certa noite, Bentinho foi ao teatro sem a esposa. Voltou no fim do primeiro ato e topou com Escobar “à porta do corredor”. Disse o amigo: “Vim tratar dos embargos”. E Machado, não por acaso, dá ao capítulo o título “Embargos de terceiros”. Para Matos, trata-se de prova cabal, incontestável. “Capitu traiu”.

Promessa é…

Em entrevista à Revista Bonijuris, publicada em outubro de 2019, o presidente da OAB-PR, Cassio Telles falou de sua preocupação com as plataformas jurídicas na internet que indicavam advogados cadastrados. Para ele, a mercantilização do direito poderia levar também à uberização dos serviços advocatícios, uma vez que os profissionais teriam que se submeter a uma tabela de preços para captar a clientela.

…dívida

Telles prometeu um antídoto. E cumpriu. Dois anos depois, já próximo do fim de seu mandato, o presidente da seção paranaense anuncia o lançamento da plataforma Advogad@ On-line, cujo objetivo é o mesmo das plataformas da internet: conectar advogados e clientes, mas sem cobrar nada por isso.

Basta clicar

Quem paga é aquele que consulta e o preço fixado é de R$ 150 para um atendimento de 30 minutos. O site pode ser acessado pelo endereço www.advonline.org.br.

Coluna publicada no Diário Indústria e Comércio em 22 de setembro de 2021.

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