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Livro de Maria Tereza Piacentini dá dicas para quem não quer escorregar no português

“Não Tropece na Redação” não se propõe apenas a resolver dúvidas gramaticais, mas a dar embasamento àquele que redige em língua portuguesa. "A ideia do tropeçou adequou-se ao sentido do que é escorregadela, embaraço, inconveniênica, engano, lapso".
Já na apresentação de algumas das obras da professora Maria Tereza de Queiroz Piacentini o leitor é brindado com uma pequena amostra do quanto a língua portuguesa é fascinante. “O que fazer quando um verbo se junta a um substantivo formando uma palavra composta como no caso de vira-lata?”, indaga o escritor Sérgio da Costa Ramos. Parece complicado, mas não é: “o verbo fica como está, só as latas vão para o plural”, responde ele mesmo, recorrendo às páginas do livro “Só Palavras Compostas”, publicado por Maria Tereza em 2010. Em “Manual da Boa Escrita”, lançado em 2014 pela autora é a vez de Deonísio da Silva, reafirmar a importância do trabalho da professora: “Cuidemos da língua de nosso convívio, aquela na qual amamos e trabalhamos, aquela à qual recorremos em todas as ocasiões”. Ou deveríamos. Com “Não Tropece na Redação” (2019), que está sendo lançado pela Editora Bonijuris em edição primorosa, não é diferente. O também escritor Aristides Coelho Neto recorda “sova amiga” que recebeu de Maria Tereza ao afirmar vis-à-vis que a locução face a não existia. Ela devolveu, de pronto: “Se você encontra a expressão é porque existe!” Tal fato levou Coelho Neto a enxergar com clareza – talvez como nunca dantes – que o raciocínio cartesiano não se aplica bem no que se refere à “flor do lácio, inculta e bela”. Maria Tereza não é marinheira de primeira viagem.  Em 2000, ela reuniu em livro as mais de 300 colunas publicadas no site linguabrasil.com.br e as publicou sob o título “Não Tropece na Língua”, desde então renovado, adaptado, transmutado, atualizado e, com o advento do Acordo Ortográfico de 2009, adequado minuciosamente às novas regras. IDEIA DE JAMIL SNEGE Que se conte uma curiosidade aqui: foi o escritor e publicitário Jamil Snege (1939-2003) quem sugeriu o nome “Não Tropece…” e a ele Maria Tereza aderiu entusiasticamente. Afinal, como diz a autora, o propósito do livro não era ensinar, criticar nem ficar apontando erros. “A ideia do tropeçar adequou-se ao sentido do que é escorregadela, embaraço, inconveniência, deselegância, lapso, engano, deslize, coisas que todos procuramos evitar, por certo.” Com 448 páginas, “Não Tropece na Redação” tem o mesmo propósito. Se bem que, como diz o nome, ele não se obrigue apenas a resolver dúvidas gramaticais ou ortográficas, mas a dar o embasamento necessário àquele que redige em língua portuguesa. As seções do livro são pródigas naquilo que despertam de curiosidade e apego à clareza. Gravidez tem plural? Índios tupi ou índios tupis? “Antes de mais nada” é correto? Quando se deve iniciar um novo parágrafo? Catarinense de Joaçaba, Maria Tereza de Queiroz Piacentini é formada em Letras e mestre em Educação pela UFSC. Em 1989 foi responsável pela revisão gramatical da Constituição do Estado de Santa Catarina. É autora de Português para Redação Empresarial (1987), Só Vírgula: método fácil em vinte lições (1996), Só Palavras Compostas (2000), Não Tropece na Língua (2012) e Manual da Boa Escrita (2014), entre outros. Uma última questão: capitã ou capitoa? Ambas são corretas, mas a primeira soa bem melhor. Maria Tereza sabe disso.

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