José Dirceu é o Mourão que o Haddad não pediu, mas levou

Parece combinado. O general Mourão, vice de Bolsonaro, ameaça de um lado com o fim do 13º salário e o abono de férias, e José Dirceu, o ex-ministro mais poderoso do governo Lula em seus primórdios, ataca de outro com a ameaça petista de retirar o poder de investigação do Ministério Público e de restringir o papel do STF. Acrescenta suposto desejo acalentado pelo PT: “Seria uma questão de tempo para a gente tomar o poder”. Ele reclama. As palavras, as últimas ao menos, foram retiradas de contexto. Mas foram ditas em péssima hora.

A última pesquisa Ibope (divulgada ontem, 1º) registra o crescimento de Bolsonaro, que alcança 31% das intenções de voto ante um Haddad que estacionou em 21%. Nem o doidivanas Mourão, nem a mais recente declaração de viés autoritário de Bolsonaro (“não aceitarei resultado que não seja minha vitória”) são capazes de mitigar o antipetismo que grassa no país.  É o voto do Cacareco, é o voto do Macaco Tião, personagens que deixaram de representar o voto de protesto para concentrar sua sanha pândego-trágica e antipolítica no botocudo Bolsonaro, que, aliás, prescinde de partido ou de uma “carta ao povo brasileiro”.

Bolsonaro venceria hoje em todas as regiões do país, com exceção do Nordeste, onde no entanto tem conquistado pontos preciosos. Ganha também entre a população de nível superior e vai bem, obrigado, entre o eleitorado jovem (16-24 anos) e entre aqueles cuja renda é de até dois salários mínimos.

No sábado, a liga das mulheres feministas (ou qualquer coisa assim) organizou protesto antiBolsonaro, convocado em todo o país, por meio das redes sociais sob a hashtag #ELENÃO. Pois sim. A rejeição do capitão entre o eleitorado feminino oscilou negativamente de 54% para 51%, no limite da margem de erro.

O PT merece? Merece. Mas afora isso, ninguém merece.

compartilhe

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no email
Email

Leia também:

Dura vida de advogado

A mesma Folha de S. Paulo que anunciou, equivocadamente, a morte da monarca da Inglaterra, na manhã de segunda-feira – “Rainha Elizabeth

Um painel para sempre

Há seis meses, a Associação dos Condomínios Garantidos do Brasil (ACGB/Vida Urbana) inaugurou um painel de azulejos em homenagem aos profissionais da