Em nome do bom português

Distribuo por entre os redatores, com meus agradecimentos e votos de bom trabalho.

1) “Streaming” pode ser substituído por “transmissão”: serviço de transmissão, transmissão. Por exemplo: “O que há para ver no serviço de transmissão’. “O que há de bom para ver em transmissão”.

2) “Lockdown”: reclusão, quarentena, fecha-tudo (simpática e brasileiríssima expressão que inventaram).

3) “Fake news”: desinformação. (“Fake news” já está obsoleta e abandonada pela maioria das pessoas).

4) “Task force” (força tarefa, expressão sem pé nem cabeça): grupo de ação/trabalho/serviço, junta de ação/trabalho/serviço.

5) O estupidíssimo “o que abre e o que fecha no feriado” (típico de Curitiba): o que abre e o que NÃO ABRE no feriado (fechar é diferente de abrir. Se se diz “o que abre e o que fecha”, o que “fecha”, antes abriu; logo, o que abre e o que fecha = o que abre, e o que abre e fecha).

6) O verbo “ganhar” é cacoete de redação: ganhou forma, ganhou corpo, São Paulo ganhará novo restaurante, fulano ganhou importância.

7) “Impact”, do inglês “impact” não se traduz por “impacto”, mas por efeito, conseqüência, influxo, influência (e muitas outras palavras). Leram “impéct” e pensaram, burramente, que é igual a “impacto”. Impacto em português de qualidade é: colisão de corpos, embate, choque de coisas. Ademais, o tal do “impacto” é cacoete de redação. Note como os jornalistas brasileiros já não sabem outra palavra para dizer efeito, conseqüência, influência, influxo, consectário, resultado etc.

Vício da duplicidade de jornalistas e não somente

Vício da duplicidade:

Em 16 de abril de 1822 foi enviado ao rei de Portugal, D. João VI, e ao seu filho D. Miguel, um convite para que o segundo filho do monarca português aceitasse a coroa da Grécia.

Primeiramente, consta “D. Miguel”, depois, “segundo filho do monarca português”. O leitor fica sem saber quem é o tal segundo filho e somente o identifica com D. Miguel se já lhe souber da condição de segundo filho.

Agora, sem o vício:

Em 1822 foi enviado ao rei D. João e a seu SEGUNDO filho D. Miguel convite para que ESTE aceitasse a coroa”. Disse-se o mesmo com clareza e limpeza.

Tutmonte procura coligar-se com amigos do presidente.

Que presidente? É o próprio Tutmonte, mas parecem dois e se o leitor já não souber que Tutmonte é presidente não entende o que o mau redator quis dizer.

Sem o defeito:

Tutmonte procura coligar-se com SEUS amigos.

Não toque no quadro. A peça é frágil.

Que peça? É o próprio quadro.

Não toque no quadro; ELE é frágil.

Este tipo de construção tornou-se comum no Brasil, mas é defeituosa, nele todos os jornalistas estão viciados, eles são incapazes de redigir sem a perífrase que duplica o sujeito ou o objeto, eles não sabem usar pronomes, eles excluíram-nos (“nos” é pronome) da prosa e necessitam de reaprender, urgentemente, o uso dos pronomes.

Este defeito encomprida as frases desnecessariamente, muitas vezes, duplica o sujeito ou o objeto por perífrases e torna a frase obscura.

Pode-se repetir o sujeito ou o objeto, se for o caso; para não os repetir, use PRONOMES (ele, ela, eles, elas, seu, sua, seus, suas, dele, dela, deles, delas, cujo, cuja, cujos, cujas, lhe, lho, lhos, lha, lhas).

A duplicidade é defeito de redação e deve ser terminantemente evitado.

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