E quando os ‘antifas’ e os fascistas são miseravelmente iguais?

Há tempos João Pereira Coutinho – que escreve na Folha, é lusitano e observa o país à distância – vem alertando o que significam esses movimentos “antifas” que agora surgem nas ruas adotando práticas que em pouco ou em nada diferem de seus adversários. Em artigo recente, ele apontou a prática dessa “gente desocupada” que se pôs a perscrutar as estantes de livros de políticos e jornalistas confinados e trabalhando em casa por força da pandemia da covid-19. 

Não demorou para que identificassem lombadas de autores malditos, como os negacionistas do holocausto, e provocassem uma montanha de críticas e ataques baixos na internet. É assim: se você tiver o “Mein Kamp” na estante e se apresentar como um progressista de UTI, prepare-se: os antifas vão alardear a sua desonestidade intelectual e sua condição de infiltrado. 

Pobre daquele que, no Brasil, exibir para as câmeras a coleção completa da obra do líder integralista brasileiro, Plínio Salgado, e seus camisas verdes. “Anauê!”. É coisa de que tem um pé na insanidade e o outro também, por certo. Mas que causa preocupação porque esse tipo de mau juízo e de caça às bruxas não parece incomodar ninguém. 

As manifestações de domingo passado, em São Paulo, e as de Curitiba, na segunda-feira (1), com quebradeiras, enfrentamento com policiais e depredação de patrimônio, estão longe de representar um ato democrático. Se o começo foi assim, é mau sinal.

Coutinho diz que “na ânsia de caçar fascistas, certas patrulhas são parecidas com eles”. E são mesmo. Vide as torcidas organizadas que desfilaram na Avenida Paulista, carregando a faixa “unidos pela democracia”. Estamos falando de grupos de intolerância que surram e até matam torcedores de outro time pelo simples motivo de que torcem para outro time. Se são “antifas” e “democratas”, como quer o ressurgido líder do MST, João Pedro Stédile, é de dar medo. 

Não se quer aqui reprovar manifestação qualquer que seja – mesmo aquela que desfraldou símbolo ucraniano de evocação nazista –, desde que não invada liberdades ou direitos alheios e queira impor vontades à força. Mas o alerta está dado. 

Os que promoveram guerra de torcidas contra a polícia, em São Paulo, ou depredaram as estações-tubo e o Fórum Cível, em Curitiba, não são diferentes de seus adversários, seja no método ou no programa. Democracia certamente não é isso. É outra coisa. 

FOTOS AGÊNCIA BRASIL / EBC

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