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Com o estigma da vitória, ACGB completa 20 anos

Um dia, a Associação dos Condomínios Garantidos do Brasil, foi um barracão precário e uma Kombi que tinha um nome. Ela se chamava Vitória. Antes eram dois funcionários, hoje são 16. E a sede da entidade fez-se ampla e confortável. A Vitória é de todos.

Tudo sempre começa com uma ideia e ela foi a pedra fundamental da Associação dos Condomínios Garantidos do Brasil (ACGB), em 2000. A ideia era zelar pelo entorno dos escritórios das empresas que atuam na área condominial e que hoje integram a ACGB. É parte de sua missão. Administrar condomínios está relacionado ao bem viver, a preservar, a limpar, a reparar não só o espaço privado, mas também o comum. Com a cidade não deveria ser diferente. 

E esse foi o pensamento que levou a ACGB a uma outra etapa. Decidiu-se que não bastava cuidar para que os escritórios das empresas condominiais fossem um ambiente convidativo aos clientes. Era preciso também garantir o asseio necessário a tudo que os circundassem. Assim foram contratados zeladores com a função de cuidar das calçadas próximas, aparar a grama dos jardins, pintar muros e paredes externas, plantar flores nos canteiros. 

De certa forma, semeamos um terreno que, em breve tempo, tornou-se fértil. É assim com uma ideia. Ela germina, cresce e expande-se. 

Preservar o meio ambiente é uma tarefa diária. Mas quando falamos nisso, imaginamos somente uma grande área verde e não um espaço urbano, onde passamos boa parte do dia. Pois ele também deve ser objeto de nossa atenção e cuidado.  

A ACGB é isso. Diariamente, um pequeno grupo de funcionários deixa a sede da entidade na avenida Marechal Floriano Peixoto, devidamente identificados em seus uniformes e munidos do equipamento necessário (inclusive protetor solar) para preservar sua segurança. Eles têm uma missão: garantir que os buracos nas calçadas sejam reparados, que os canteiros de flores sejam podados e que as paredes fiquem livres das pichações. É um trabalho gratuito e essa é a marca da associação. A ACGB não conta com qualquer auxílio de órgãos públicos. É uma entidade sem fins lucrativos. As despesas ficam a cargo dos associados. 

No princípio a Associação dos Condomínios Garantidos do Brasil se resumia a dois zeladores. Hoje são 16 funcionários com funções distintas: são calceteiros, jardineiros, administradores e alpinistas urbanos, estes encarregados da manutenção e pintura de prédios e de monumentos públicos. No ano passado, foram eles os responsáveis pela limpeza do obelisco de Curitiba, na região do Centro Cívico, cuja altura de 40 metros corresponde a um prédio de 15 andares. 

Os reparos e a manutenção de calçadas que, antes, ficavam circunscritos a determinadas ruas e avenidas, tornaram-se um projeto (o Passeio Nota 10), que avança os limites do quadrilátero central de Curitiba em direção aos bairros e à região metropolitana. 

As parcerias com entidades de assistência social, a prefeitura de Curitiba e o Tribunal de Justiça do Paraná nos possibilitam oferecer oportunidades para que adolescentes e jovens, com mais de 18 anos, flagrados em atos de pichação possam encontrar, na ACGB, um ambiente adequado para sua ressocialização. Em duas décadas de história, cerca de 800 jovens foram encaminhados pelas varas de justiça à ACGB para que prestassem serviços comunitário. Destes, a maioria ocupa hoje diversas atividades, inclusive artísticas, no mercado de trabalho. 

A sede da ACGB é uma realidade recente. O endereço é o mesmo (Marechal Floriano Peixoto, 1400, Centro, Curitiba) mas as instalações quanta diferença. O que era um barracão provisório, construído no fundo da propriedade, é, desde 2016, uma construção sólida, com cozinha, refeitório, salas administrativas, vestiários e banheiros com duchas. 

É um feito e tanto para uma entidade que começou pequena, com um propósito pequeno. Nosso agradecimento, entretanto, é grande. E ele dirige-se, em especial, aos funcionários da ACGB, ao seu presidente e à sua coordenadora. Um dia, a Associação dos Condomínios Garantidos do Brasil, foi um barracão precário e uma Kombi que tinha um nome. Ela se chamava Vitória. Foram seus funcionários que a batizaram porque, aos olhos deles, era isso que ela representava. Por esse motivo, não há tradução melhor para o que a ACGB representa alcançado seus 20 anos de existência. A Vitória é de todos nós. 

*por Marcus Gomes (jornalista, redator da Revista Bonijuris).

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