Análise de comportamento ou ‘Elementar, meu caro (John B.) Watson’

Coisas de John Broadus Watson (1878-1958), o criador do behaviorismo (ou análise de comportamento) tão explorado nas séries policiais de TV. Indago ao professor da Uninter, Daniel Corteline Scherer, que tem formação em Psicologia, em Direito e, salvo engano, em Teologia (é um estudioso de Santo Tomás de Aquino), se o ‘Experimento do Pequeno Albert’ pode ser revertido.

Explico: Watson demonstrou o condicionamento clássico ao implantar uma fobia em um bebê, através da associação de estímulos. O Pequeno Albert que não demonstrava o medo de animais peludos – um coelho ou rato branco, por exemplo (vide o teste filmado) – desenvolveu-o a partir da paridade de estímulos: animal peludo associado a um barulho alto. Isso em uma série de sessões. Parece uma crueldade nos dias de hoje, mas estamos falando dos anos 20.

É possível reverter o processo ou fazer com que o bebê cure-se da fobia usando o mesmo método? Watson desenvolveu sua teoria usando animais. Em tempo de vacas magras, quando ainda estudante, ele trabalhou como zelador em um laboratório de cobaias, na Universidade de Chicago. A pergunta ainda ecoa. Não se sabe. O próprio psicólogo – que abominava Freud e suas teorias do Ego, Id e Superego, talvez não quisesse responder. Ou isso ou não teve tempo para concluir sua análise porque foi obrigado a demitir-se da Johns Hopkins, onde instalara seu laboratório. Motivo: o de quase sempre. Envolveu-se em um caso escandaloso com sua assistente.

Lembro tudo isso porque a teoria behaviorista de Watson está intimamente associada a dois filmes polêmicos: “Cão Branco” (White Dog, 1982), de Samuel Fuller, e “A Tortura do Medo” (Peeping Tom, 1960), dirigido pelo  britânico Michael Powell que, por razões inexplicáveis, causou revolta e protesto das plateias inglesas no mesmo ano em que Alfred Hitchcock lançou “Psicose” na América.

“Cão Branco” ganhou a pecha de maldito por tratar de um animal treinado para atacar negros. O roteiro é quase todo ele centrado na missão de um adestrador de cães (também negro) de reverter o comportamento condicionado do cachorro. A pelagem branca do animal não é gratuita. Era intenção de Fuller reforçar a referência.

Quanto ao filme “A Tortura do Medo”, o horror está relacionado à câmera. As vítimas apavoram-se olhando diretamente para as lentes. Por quê? Bem, não ouso contar. De passagem, cito as cenas em que o menino que depois se revelaria “louco por filmes” (o que é mais do que um clichê), fora ele também um experimento do pai psicólogo. Corriqueiramente, ele acordava tendo ao seu lado (ou sobre ele) um bicho estranho. O pai filmava suas reações.

Postei vídeos (e trailers) na coluna de widgets (à direita) do blog. É uma chance de comprovar se o behaviorismo é mesmo essencialmente relacionado ao ambiente e tão elementar quanto dizia John B. Watson.

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