A OAB descartou o exame e pensou no dindim

Um total de 220 mil candidatos habilitou-se para o 32º Exame da Ordem, no domingo. Foi o primeiro do ano, mas não deveria ser o maior da história, se considerada a cepa indiana que assombra e o vislumbre do tsunami, que alguns insistem erroneamente em chamar de terceira marolinha da Covid-19. Mesmo com a abstenção de 10%, o entorno das universidades e colégios juntaram mais gente do que deveria, mas, ora, a OAB estava em festa: afinal, amealhou a bagatela de R$ 57,2 milhões, entre recém-formados e represados, aqueles que esperaram um ano para que os portões da esperança da advocacia fossem reabertos. Na avaliação de especialistas, as 80 questões do Exame primaram pelas pegadinhas e não pelo conhecimento que deveria ser o cerne do teste, dado o seu caráter classificatório, não eliminatório. Não se tratava mesmo da peleja de deus e do diabo em busca de vaga no serviço público. Uma professora tarimbada debruçou-se sobre o caderno de questões do direito do trabalho e ficou basbaque com a “decoreba” exigida. Tratou-se de prazos de decadência e prescrição e de alternativas que fariam Chacrinha repetir: “Nós viemos aqui para confundir, não para explicar”.  Sim, o capitão está errado ao afirmar que o Exame da Ordem é um caça-níqueis. Entretanto, Felipe Santa Cruz, o todo-poderoso da OAB, esteve muito próximo de confirmar a maledicência. Não nos esqueçamos: Santa Cruz filiou-se recentemente ao PSD com a pretensão de disputar o governo do Rio. Ele deveria ao menos esperar a conclusão de seu mandato, em 2022, para evitar que outras maledicências venham à tona. Mas a mosca azul. Ah, a mosca azul.

No alvo

O STF acertou ao autorizar a realização da Copa América no Brasil. Se dissesse o contrário,  daria um tiro no pé na decisão anterior de transferir a estados e municípios a responsabilidade para gerir programas relacionados ao combate à pandemia.

Tem nome

Os constitucionalistas chamam a isso de competência concorrente.

Segunda dose

Falta campanha das autoridades para convencer o contingente de 4 milhões de brasileiros que já tomaram a primeira dose da vacina da Covid-19 e precisam, agora, tomar a segunda.

Pense coletivo

O argumento é simples: a aplicação da segunda vacina não é essencial apenas para garantir a imunização da pessoa, mas para criar uma proteção coletiva contra o vírus.

Ah, a inércia

Se do governo federal não se espera muita coisa (e não se espera mesmo), estados e municípios já poderiam estar com o bloco na rua. Ou teremos que aguardar uma ação do MP?

Dalton, 96

Passou em branco o aniversário do mais festejado de nossos escritores. Na segunda (14), Dalton comemorou 96 anos. Advogado, formado na UFPR, o contista curitibano foge da Covid-19 como Nelsinho, o Vampiro de Curitiba, fugiria de suas amantes. E vai muito bem.

Coluna publicada no Diário Indústria e Comércio em 16 de junho de 2021



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