A filosofia do taco de beisebol chamado Rivotril

A novidade que veio dar à praia é que a direita está nas ruas. Como não se via há muito tempo. Ao menos desde que Plínio Salgado e Miguel Reale (pai) mimetizaram o fascismo e o nazismo, nos anos 1930, à frente dos integralistas com “Deus, a Família e a Propriedade”.

O problema foi a versão adaptada. Eles se orgulhavam da miscigenação, bradavam “Anauê” em tupi, palavra cujo sentido fraterno é “Você é meu irmão”, e exibiam na braçadeira a letra grega Sigma, que representa a soma dos infinitos pequenos. Convenhamos: com tal complexo de inferioridade estava na cara que não ia dar certo.

Hoje, apesar dos hidrófobos, a direita brasileira tende mais para o conservadorismo do que para o reacionarismo. E parece ter perdido a vergonha de disseminar seu ideário, mesmo considerando que parte dele seja irremediavelmente estapafúrdio. Claro que a esquerda não fica atrás. Lula, em “lives” recentes, pontifica a supremacia do coletivo sobre o indivíduo e do público sobre o privado. É bobagem ao cubo.

Ver o MST, de João Pedro Stédile, queimando pneus nas rodovias e empunhando foices, facões e machados, nunca foi confortável. Pois o taco de beisebol manejado por seguidora bolsonarista no confronto que não houve entre manifestantes na Avenida Paulista, no domingo (31), provocou sensação idêntica. Ela escreveu nele o nome Rivotril. É coisa esquizóide, como se lerá adiante.

Nas redes sociais (onde mais?) a reação foi de censura ao PM que acompanhou a mulher ao seu reduto poupando-lhe o taco.

O motivo para isso tem amparo legal. O Código Penal, tantas vezes modificado nos últimos anos e, mais recentemente, na lei anticrime, subdividiu a arma branca (sem pólvora) em própria ou imprópria.

Taco de beisebol, facão, a foice e o martelo – para ficar na simbologia – inserem-se na última. Ou seja, para todos os efeitos são ferramentas (de trabalho) que só podem ser definidas como armas quando utilizadas expressamente para ameaçar alguém. Sem sombra de dúvida.

O cinema e a TV, entretanto, têm dado asas à imaginação. Negan, o vilão sádico de “The Walking Dead”, usa o bastão acrescido de arame farpado para eliminar seus adversários. Os fãs se perguntam por que ele o chama carinhosamente de Lucille. E a resposta não é tão óbvia assim. Trata-se de uma referência à canção de Little Richard, o roqueiro que morreu no mês passado, aos 85 anos. De câncer, não de covid-19.

Assim como na letra da música, Negan trata Lucille com o mesmo amor devotado a uma dama. Não é o caso das foices, machados e facões que dividem a cena com assassinos seriais em filmes para todos os gostos. A empatia que despertam, contudo, é inegável. E corroboram com nosso instinto de matar e aniquilar. Ainda que, como se sabe, sejam as armas de fogo as preferidas de nove entre dez líderes truculentos. Estejam eles à direita ou à esquerda do espectro político.

FOTO BNEWS



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